terça-feira, 27 de janeiro de 2009

Uma Ilustração que reflete a realidade de nossas igrejas...

Amados,
Recebi um e-mail com uma ilustração muito interessante do Pr. Júlio Oliveira Sanches.
Creio que o texto, por si só, já pode nos levar à reflexão.
Que Deus possa abençoar a todos nós na nossa jornada.
Com amor,
MM. Sylas Motta


LIQUIDAÇÃO DE PANETTONES

Em novembro a peça com quinhentos gramas custava R$ 16,88. Na semana que antecedia o Natal baixou para R$ 12,56. Logo após o Natal, antes do dia primeiro do janeiro, comprava-se o mesmo produto por R$ 8,32. Na primeira segunda-feira de 2009, dia 5, estava em liquidação a R$ 2,98. Feliz, minha esposa comprou uma peça com pingos de chocolate, para o neto que alegrava a casa desde o início de dezembro. Netos merecem panettones com pingos de chocolate. Embora a minha preferência seja para os que contém frutas cristalizadas, prevaleceu a preferência do neto. À proporção que a idade chega, nossas preferências são descartadas em função dos mais novos. Nenhuma novidade nisso.
Após pagar as compras e dirigir-nos ao estacionamento, o locutor anunciou que agora "era para acabar". O preço baixou para R$ 1,48. Caso houvesse aguardado mais alguns minutos, minha amada teria economizado R$ 0,50. Peguntei-lhe se não desejava voltar e comprar mais um para as outras netas. Claro que não! Não pelas netas, mas por sentir-se ludibriada. Enquanto eu me divertia, somos um casal divertido, a nossa moda, é claro; ela reclamava da injustiça e insinceridade da promoção. Por que não um preço único na promoção ou queima de estoque? Bem, disse-lhe, a expectativa e o improviso fazem parte do marketing que atrai o cliente. É o que vemos nas diversas liquidações de início de ano. Os preços caem, mas o produto, às vezes, é o mesmo.
Liquidações são bem vindas para os que temos menor poder aquisitivo. Na maioria dos casos o produto tem um pequeno defeito. Não foi aprovado pela produção. Não passou no teste ou inspeção de qualidade dos olhos de lince dos que procuram defeitos. Descartá-lo é uma possibilidade. Vendê-lo por preço menor é outra, com aviso de que não será trocado e não foi aprovado pela qualidade. Compra quem quer. Mas sem direito à reclamação. Nem sempre é bom arriscar. Mas no caso do panettone, apenas o tempo de validade para consumir era menor. Sem riscos desagradáveis para a saúde.
Ao ver tantas liquidações na cidade. As filas intermináveis. Pessoas que dormem na fila para conseguir os melhores objetos. Gente carregando geladeiras, aparelhos de TV, liquidificadores, em carrinhos de pedreiros. As lojas não entregam produtos liquidados. Embrulhos e mais embrulhos, e alguns produtos não são embrulhados. A ânsia por adquirir. Gente com três batedeiras. Outros com dois fogões. Somos obrigados a filosofar com os nossos botões, que não estão em liquidações. Será que os compradores precisam de tais objetos? Caso não, compensa comprar, só por que é mais barato? A economia familiar e a administração das finanças domésticas recomendam a não aquisição do que não precisamos. Mas quem resiste à propaganda? O poder da mídia? Um panettone, de marca famosa, a menos de um real? Defeitos não contam. Em outras circunstâncias seriam considerados. Em liquidação não.
Fui tentado a fazer uma lista das liquidações que temos promovido em nossas Igrejas nestes últimos anos. Pastor só pensa em Igreja. Deveria ocorrer uma liquidação do pensar, mas não há. Assim, pois, listei alguns dos muitos produtos liquidados a preços irrisórios, para gáudio da clientela.
Comecei com a música nos cultos. Liquidou-se a boa música dos cultos. Produtos de terceira categoria tomaram o lugar da música sacra. Produtos com defeitos vários. Doutrina estranha. Teologia suspeita. Conceito de louvor deturpado. Ortografia, não a nova, mas a antiga desrespeitada. Mistura de pronomes com verbos em tempos diferentes. Heresias, as mais variadas. Mensagens, nem pensar. Ninguém resistiu. As filas crescem e hoje temos todo barulho da liquidação nos cultos. O vozerio dissonante da multidão, sem ritmo e compasso, consumindo "música" de péssima qualidade para louvar. Não importa o resultado. Custa menos. Não precisa estudar. Tampouco ensaiar. Qualquer barulho serve. Algumas Igrejas, sem condições de impedir a liquidação, construíram roldanas de acrílico para o baterista e a bateria, que faz de conta que toca enquanto o povo faz de conta que ouve. Liquidação horrível. Nada contra a boa bateria bem tocada.
Liquidaram a EBD. Estudo bíblico é produto ultrapassado. O negócio agora é celebrar. Jogam-se alguns textos desconexos no multimídia e o povo faz de conta que lê a Bíblia. A maioria não é capaz de separar as profecias de Ezequiel das "possíveis escatologias de Jaconias". Antes que você creia que se trata de um profeta em liquidação, adianto-me a dizer-lhe que não existe. Analfabetismo bíblico total. Custa menos. Povo analfabeto é mais fácil de ser dominado. Não doutrinar. Examinar o texto. Extrair a sua verdadeira mensagem, sem trair o seu contexto e conteúdo é mais barato. O resultado não se faz esperar. Crentes carregando a fé em carrinhos de pedreiros. Nada contra os bons pedreiros. Salvos alimentados por doutrinas e pelos milagreiros da TV, custam menos.
A família liquidou o culto doméstico. As novelas custam menos, com resultados imediatos. As mini-séries valoram vidas desregradas, com estímulo aos jovens a seguir o exemplo. Isto é: drogas. Incestos. Gravidez precoce. Relacionamentos, sem casamentos. Namorados assassinando as namoradas que se recusam continuar o relacionamento. Leia-se: recusam os motéis movidos a gasolina e os fixos à beira das rodovias. Educar filhos dá trabalho. Cuidar de netos, sem pais definidos, é mais barato. Pobre família que liquidou o culto doméstico.
Alguns púlpitos liquidaram a mensagem bíblica. Celebra-se a mediocridade, sem conteúdo bíblico. O povo não suporta a Bíblia. Manter um bom auditório oferecendo o que o freguês quer, jamais o que precisa, é mais barato. Alguns "milagres". Muita energia e bastante sudorese. Nada de reflexão. Convite ao arrependimento, palavra em desuso, agride. Levar os salvos a refletir custa caro. É mais difícil ludibriar quem pensa. É mais fácil ser apóstolo, profeta, bispo e dizer que teve uma visão. Cegos que não enxergam aceitam profecias esdrúxulas. Visões descabidas. Revelações alucinógenas. Pecado deixa de ser pecado. Pecador se transforma em alguém sem Igreja, que precisa de comunhão, não de arrependimento. É mais barato. O mundo evangélico está em liquidação. Não precisa mais de cruz. Não precisa mais morrer para viver, (Lucas 9:23-24). Basta colocar no carrinho e levar a preços módicos.
Há muitos outros produtos em liquidação. O espaço não permite mencioná-los. O preço baixou. Aproveite. Entre na fila e adquira, via carnê bancário, um lugar no céu. Prefiro a liquidação de panettones. É mais honesta.
Pr. Julio Oliveira Sanches

domingo, 28 de dezembro de 2008

A Música na Igreja dos Nossos Dias


Meus amados irmãos e demais vistantes desse blog. Falar sobre música na igrea hoje torna-se um assunto complexo devido as diversas visões de lideranças que, muitas vezes, preocupam-se mais em fazer a vontade do povo do que seguir os padrões verdadeiramente cristãos hoje tão banalizados principalmente no meio da música.
Vivemos hoje um momento regado de preconceitos de movimentos onde temos os grupos denominados tradicionais e grupos denominados renovados (além de outros que não se encaixam em lugar nenhum). De um lado os tradicionais que não abrem mão de novas formas de expressão em seus cultos, cercados de preconceitos com instrumentos, formas musicais e outros. Do outro lado temos os ditos renovados que se autoproclamam isentos de pensamento preconceituoso, mas que na prática, atacam e condenam o uso de hinários, coros e outras formas de arte tão valorizadas nos cultos tradicionais, mostrando também que os ditos renovados não estão excluídos dos grupos preconceituosos que tanto atacam.
É importante observar que o preconceito, normalmente, parte da liderança da igreja local ou congregação. Para ilustrar isso eu pessoalmente posso testemunhar o que ouvi de um pastor em uma igreja. Esse pastor expôs para mim afirmações como: regência é uma coisa totalmente utrapassada; canto mais da metade do cantor cristão de cór (pouco para uma pessoa que teve a vida toda ativa em uma igreja batista, mas vamos lá) e digo que há relíquias que deveriam ser admiradas apenas em um museu (em uma conversa onde questionava a falta dos hinos e outras formas de arte nos cultos daquela igreja), dentre outras afirmações que não valem nem mesmo a pena serem colocadas aqui neste blog.
Um dos grandes problemas que vejo é que as lideranças (pastores) e a própria igreja enxerga o Ministro de Música apenas como uma pessoa contratada para cuidar da área da música. Esquecem-se de que, antes de tudo, o Ministro de Música também é um adorador, e é através da regência congregacional, da regência coral, que o Ministro de Música adora ao nosso Deus. Tal como temos irmãos que adoram a Deus com suas músicas especiais, o Ministro de Música adora a Deus com sua regência e seu trabalho dedicados a Ele. Quantas vezes presenciei manifestações públicas por parte de irmãos do tipo: irmão, como Deus me tocou através da sua regência. Os que questionam e colocam algumas formas de arte como antiquadas, certamente o fazem por uma posição preconceituosa onde o seu gosto pessoal impera sobre aquilo que é benéfico para toda uma igreja ou congregação.
E levados por esse movimento preconceituoso, temos hoje cultos sem nenhuma expressão artística, regados de cânticos vazios de letra, onde o ser humano e seus problemas passam a ser o motivo principal dessas letras, praticamente letras de auto-ajuda, e os hinos que falam do amor de Deus, da soberania de Deus, de tantos temas sempre direcionados para Deus (motivo e alvo da nossa adoração) e não para o ser humano, ficam esquecidos. Isso, nossos hinários foram respingados por esta tendência reducionista, como afirma nosso amado Pastor Nelson Bomilcar em um de seus artigos no seu site, e hoje vivemos total desprezo por nossas igrejas desses hinos que são verdadeiramente edificantes e, como o próprio Pastor Nelson Bomilcar diz, "compostos por gente de Deus séria e inspirada".
Mas o que seria um culto equilibrado e sem uma visão preconceituosa? Certamente seria um culto onde todas as manifestações equilibradas de arte (porque nossos cultos também tem que ser com ordem) possam estar inseridas nele. Assim teremos os hinos regidos, os coros, os cânticos espirituais com os ministérios de louvor, a coreografia, tudo encaixado, equilibrado para a honra e a glória do nosso Deus. Expressões como acho antiquado, ultrapassado, ou não gosto disso ou daquilo não cabem em lideranças e igrejas que querem realmente louvar ao Senhor com arte. Interessante que vivemos hoje um momento de valorização da música erudita pelo mundo, com uma grande movimentação das orquestras no Brasil, e nossas igrejas vemos justamente um esvaziamento dessas expressões artísticas.
E como consequência disso, temos hoje letras vazias e formas estranhas de culto, bombardeando nossos membros com mensagens vazias de conteúdo bíblico, juntamente com uma liderança que procura fazer aquilo que o povo quer e não aquilo que a bíblia ensina, contribuido para a formação de crentes vazios e cheios de não me toques.
Uma vez ouvi de um pastor que o ministério de louvor (nome dado as equipes de louvor que atuam nos cultos) é local de oportunidade e realização pessoal principalmente dos jovens da igreja. Meus irmãos, onde está escrito isso na Bíblia? Ministério de louvor e local de gente consagrada e de pessoas comprometidas com o evangelho, para difundir a palavra de Deus através da música e não um local de oportunidade.
Mas não vamos entrar nesse assunto agora pois será alvo de um estudo bíblico sobre o mesmo.
Mas que fique essa mensagem nos seus corações e que possamos refletir para que nossos cultos possam ser cada vez mais edificantes.
Com amor,
MM Sylas Motta