terça-feira, 5 de maio de 2009

SALMOS, HINOS E CÂNTICOS ESPIRITUAIS...

“Falando entre vós com salmos, e hinos, e cânticos espirituais, cantando e salmodiando ao Senhor no vosso coração”, Ef 5: 19.


Posso destacar, com toda a certeza, que a música exerce um papel importante nas igrejas cristãs. O cristianismo é a única manifestação religiosa que canta. Nos cultos de hoje percebemos uma invasão dos chamados cânticos, muitos deles com suas letras de auto-ajuda, mas que tem o seu espaço em boa parte dos cultos nas igrejas cristãs dos dias de hoje. Não muito tempo atrás, tínhamos em várias denominações, a presença dos tão conhecidos hinos dos hinários como o Cantor Cristão, o Hinário para o Culto Cristão, Salmos e Hinos, Harpa Cristã, etc. Trata-se de um repertório valioso por sua riqueza de mensagem e história, mas que hoje caíram praticamente no esquecimento.

Mas olhamos que a Palavra de Deus menciona, no novo testamento, os salmos, os hinos e os cânticos espirituais, isso ainda na época dos apóstolos nos primórdios da igreja cristã. Mas o que seriam então os Salmos, os Hinos e os Cânticos Espirituais? Faria sentido a Palavra de Deus usar termos diferentes em um mesmo versículo com um mesmo significado? Certamente que não.
Primeiramente vamos comentar um pouco sobre o que seria cada um deles. Quando a Palavra de Deus fala em Salmos, refere-se ao livro de Salmos que integra os livros do Velho Testamento. O livro de Salmos nada mais é do que uma coleção de Cânticos Espirituais compostos em louvor ao nosso Deus nas mais diversas situações. Há cristãos que não se dão conta de que o livro de Salmos é composto por letras de cânticos de louvor a Deus. Obviamente não temos em nossas mãos hoje a melodia escrita destas composições, infelizmente, mas a riqueza e a profundidade das letras não pode ser ignorada. É possível que, na época dos apóstolos, tais melodias fossem ainda conhecidas. É possível que tais letras tenham sido novamente musicalizadas na época dos apóstolos, isso não temos como saber. E sabendo que o livro de Salmos é composto de Cânticos Espirituais, o que seriam então esses cânticos e por que eram chamados de Espirituais? Um Cântico Espiritual tem sua letra originada em uma experiência pessoal, porém seu objetivo é louvar e engrandecer ao nosso Deus por uma benção alcançada. Vemos exemplos de Cânticos Espirituais na própria Palavra de Deus, como o Cântico de Moisés e o Cântico de Rute. O Cântico Espiritual, apesar de ter origem em uma experiência pessoal, aponta para o alto, para o nosso Deus, louvando e engrandecendo ao seu nome. Infelizmente não é o que vemos nas letras dos cânticos na atualidade, onde o foco passou a ser o ser humano, a sua necessidade de uma benção na sua vida financeira, na sua saúde ou seja lá que motivo for. O Hino é uma das formas musicais mais antigas e presentes em todas as culturas, inclusive na cultura cristã. Vemos os hinos presentes na representação de cada país (hino do Brasil, da Inglaterra e outros), os hinos marciais e outros. Uma característica do Hino no cristianismo é que o mesmo não tem origem na experiência pessoal do compositor e muitas vezes transcorre como se contasse uma história. Dá para perceber que os hinários não são compostos apenas por hinos, não é verdade?
Agora vamos refletir mais profundamente sobre texto base deste pequeno estudo:

“Falando entre vós com salmos, e hinos, e cânticos espirituais, cantando e salmodiando ao Senhor no vosso coração”, Ef 5: 19.

Se formos abrir um pouco mais a nossa visão sobre o texto de Efésios, vamos notar que Paulo cita alguns elementos, os salmos e mais dois estilos musicais (cântico e hino) onde um deles, os hinos, não eram uso restrito à igreja cristã primitiva, estavam também presentes na cultura de vários povos da época. Podemos notar que Paulo tem uma visão eclética sobre a música no culto. Nos dias de hoje temos diversos estilos musicais, taxados como mundanos, que são desprezados em algumas denominações. Outras desprezam os hinos, taxando-os também de ultrapassados. Interessante, os hinos são inspirados na Palavra de Deus, não me parece muito adequando afirmas que os mesmos são ultrapassados. Se o problema é o fato da música ser antiga, vemos hoje uma crescente valorização da música erudita no mundo. Será que os evangélicos são tão pobres culturalmente que excluem um repertório tão rico em música e em conteúdo por concluírem que suas músicas são ultrapassadas? Na verdade há mais preconceito do que fundamentação em tais afirmações. Há líderes que querem moldar suas igrejas segundo seu gosto pessoal. Alguns acusam os tradicionais de serem radicais, mas vejo também muito radicalismo nos movimentos renovados. Basta notar que também não permitem ou limitam músicas de estilos mais antigos e eruditos, mostrando que também estão no grupo dos radicais que tanto condenam. Na verdade essa visão deturpada e preconceituosa hoje afeta tanto grupos tradicionais quando renovados. Mas a visão eclética de Paulo seria hoje o mais conveniente a todos os grupos. Nossos cultos deveriam valorizar a música antiga, bem como a nossa música brasileira e outros estilos que possam ser empregados em um culto racional. Muitos líderes afirmam que a igreja deve evoluir para não perder a juventude. Mas isso não faz sentido para justificar tal posicionamento. A juventude mundana que aprecia a música clássica cresce a cada dia, porque os jovens cristãos tem que ser privados desse contato já que o repertório dos hinários também é erudito. Muitas igrejas católicas ainda mantém sua liturgia de música fora do contexto atual e eu não tenho visto os jovens deixarem o catolicismo por causa da forma musical das missas. Também tenho visto um crescimento no número de jovens nas igrejas adventistas, que mantém uma estrutura de culto mais tradicional. A forma musical não pode justificar o radicalismo de igrejas que desprezam seus hinários ou de igrejas que apenas dão valor aos hinários, desprezando os cânticos, embora compreendo que as letras de muitos cânticos realmente deixam a desejar.

Que possamos refletir e abrir nossas mentes para uma nova realidade musical, onde possamos desfrutar da boa música cristã dos nossos hinários, em conjunto com a riqueza da música dos dias de hoje, desde que tragam um conteúdo que realmente exalte e adore o nosso Deus.

Fiquem na paz do Senhor,
Ministro de Música Sylas Motta

2 comentários:

  1. A música deve ser usada inteligentemente

    Ivone Boechat


    O cérebro humano está cansado e agredido pelo excesso de informações. A tv se encarregou de saturar, incessantemente, com sons irritantes; nas ruas, os motoristas buzinam estridentemente, e aceleram forte, produzindo barulho excessivo; os ruídos internos empurram o ser humano para o universo interior das cobranças sociais, e assim estressado pelo trabalho, ele se dirige aos templos para buscar a Palavra, a quietude, a reflexão. Quem não gostaria de orar silenciosamente ao entrar no santuário, ao som de uma musica suave? Quem não gostaria de ouvir um coral, ou cantar com a congregação um hino inspirativo, sem necessidade de tentar superar o barulho do que mais parece um “trio elétrico” de 90 decibéis, prejudicando a audição e a saúde?

    Ainda há tempo de reverter o horror que se instalou nos templos durante o culto. Autoridades especializadas no estudo dos efeitos do som indicam que ruídos em níveis elevados alteram o comportamento humano e não preparam o cérebro para ouvir a mensagem, pelo contrário, interferem na química cerebral, que fica muito alterada. Com toda essa adrenalina a pessoa torna-se incapaz de gravar a mensagem.

    A música é um poderoso fixador da memória: sensibiliza; emotiza (cria entusiasmo); prepara o cérebro para arquivar as mensagens; consola; tranqüiliza; desperta a atenção; estimula a produção dos hormônios que formam o padrão químico das inteligências.
    A música deve ser usada inteligentemente, como recomenda um dos maiores músicos da antiguidade, Rei David:

    “ Pois Deus é o Rei de toda a Terra; cantai louvores com inteligência.” Sl 47:7 .
    "Cantai-lhe um cântico novo, tocai com arte e júbilo." Sl. 33:3

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  2. A música deve ser usada inteligentemente

    Ivone Boechat


    O cérebro humano está cansado e agredido pelo excesso de informações. A tv se encarregou de saturar, incessantemente, com sons irritantes; nas ruas, os motoristas buzinam estridentemente, e aceleram forte, produzindo barulho excessivo; os ruídos internos empurram o ser humano para o universo interior das cobranças sociais, e assim estressado pelo trabalho, ele se dirige aos templos para buscar a Palavra, a quietude, a reflexão. Quem não gostaria de orar silenciosamente ao entrar no santuário, ao som de uma musica suave? Quem não gostaria de ouvir um coral, ou cantar com a congregação um hino inspirativo, sem necessidade de tentar superar o barulho do que mais parece um “trio elétrico” de 90 decibéis, prejudicando a audição e a saúde?

    Ainda há tempo de reverter o horror que se instalou nos templos durante o culto. Autoridades especializadas no estudo dos efeitos do som indicam que ruídos em níveis elevados alteram o comportamento humano e não preparam o cérebro para ouvir a mensagem, pelo contrário, interferem na química cerebral, que fica muito alterada. Com toda essa adrenalina a pessoa torna-se incapaz de gravar a mensagem.

    A música é um poderoso fixador da memória: sensibiliza; emotiza (cria entusiasmo); prepara o cérebro para arquivar as mensagens; consola; tranqüiliza; desperta a atenção; estimula a produção dos hormônios que formam o padrão químico das inteligências.
    A música deve ser usada inteligentemente, como recomenda um dos maiores músicos da antiguidade, Rei David:

    “ Pois Deus é o Rei de toda a Terra; cantai louvores com inteligência.” Sl 47:7 .
    "Cantai-lhe um cântico novo, tocai com arte e júbilo." Sl. 33:3

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